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Seminários de Inovação
Pós-Graduação em Ilustração — Univali Campus Florianópolis
Professor: Luiz Salomão Ribas Gomez
Acadêmica: Giselle Zart
Março/2016

O presente artigo tem como objetivo analisar o processo criativo, compreendendo a ilustração como interface figurativa do design — que utiliza tanto meios tecnológicos quanto tradicionais para seu desenvolvimento. Interessa também demonstrar como as duas áreas se transpõem e beneficiam a partir das suas diferenças e semelhanças. O processo criativo é o amadurecimento das ideias, marcado pela complexidade crescente cujo potencial é criar e inovar. É fruto de uma trajetória de exercícios permanentes de criatividade, que o profissional exerce diariamente na elaboração estratégica de mensagens com o objetivo de realizar o pensamento e a imaginação por meio da expressividade. O estudo é baseado em experiência pessoal, como um processo individual, além do embasamento teórico e de referências criativas.

A análise do processo criativo tem permitido a concepção de apenas alguns de seus pontos de vista. Seus múltiplos aspectos intrigam pesquisadores de todos os campos do conhecimento e apresentam-se ainda, no século XXI, como uma área em aberto. Por um longo período foi entendido como um dom, um talento, e só recentemente este aspecto foi substituído por concepções que apontam para a possibilidade de que todos e, cada um em particular, podem desenvolver-se criativamente, quer seja pelas vivências do dia a dia, pelas referências adquiridas, pelo esforço pessoal ou pela educação formal e informal. Isto é, aprende- se a ser criativo e este é um processo contínuo que ocorre ao longo de toda vida. Edith Derdyk entende que o princípio do processo é a linguagem gráfica e o experimentalismo do desenho em toda a sua potência criativa não esquecendo que a vivência prática é fundamental para a compreensão do universo gráfico, assim como dos significados contidos no ato de desenhar. Analisando o desenvolvimento do desenho a partir da infância do indivíduo, é possível simplificar o grafismo através de observações: o corpo inteiro se expressa, é um trabalho energético, sem vínculo com a figuração e sem ter noção dos limites do papel.

Essa análise da criação do desenho parece indicar que a competência pictórica está na capacidade de observação e percepção visual no desenvolvimento do ilustrador; como cita Pierre Francastel(1975): “O desenho não reproduz as coisas, mas traduz a visão que delas tem.” O desenvolvimento da capacidade cognitiva e intelectual é individual, porém o desenho é intrínseco ao ato de se expressar. Podemos aprender técnicas para maximizar nosso potencial criativo, como demonstra Philip Hallawell(1994), explicando que o desenho é mais do que riscos sobre o papel: é a base de qualquer tipo de imagem e de toda atividade visual. É a linguagem relativa à inteligência visual espacial. Através do desenho aprende-se como funcionam as imagens, e no mundo moderno é muito importante interpretar com o universo visual.

Para Austin Kleon(2013), nada é totalmente original. O trabalho criativo é construído sobre algo que veio antes, e para se tornar mais criativo, você deve se certificar de que está cercado de boas fontes. Todo artista é um colecionador e não um acumulador. A disparidade entre os dois é que enquanto o primeiro coleciona apenas o que realmente ama, o segundo coleciona indiscriminadamente, na esperança de encontrar uma luz no meio de um monte de informações. Dessa forma, quanto mais ideias boas você coletar, mais fontes terá para poder escolher quais irão te influenciar positivamente.

Existem alguns métodos para deixar fluir o processo de criação. Com a pluralidade de conteúdos difundidos na internet e através de meios digitais, somos apresentados a novos insights diariamente, através de infográficos, e-books, palestras online, blogs, pesquisas de painéis semânticos e referências em vídeos. Somos bombardeados por informações visuais todos os instantes, o importante é saber filtrar o que será válido em nosso processo criativo. É importante ressaltar o processo de desenvolvimento do brainstorm, onde lançamos inúmeras sugestões no papel, no photoshop, em qualquer formato vazio onde as ideias possam surgir. Nas etapas iniciais de projetos, é importante levantar uma quantidade de informações para a elaboração de ideias. O método para criar depende e varia muito conforme o tipo de criação. É essencial a criação de um painel semântico ou “mood board”, para buscar referências na solução dos problemas, de uma maneira criativa e inovadora. Isso se aplica ao design gráfico, podendo ser utilizado na ilustração. O brainstorm servirá para deixar fluir o pensamento, onde surgem ideias de todos os tipos. As referências pessoais influenciam indiretamente na escolha de elementos, mas até encontrar uma linguagem própria para ser identificado, e é importante entender e conhecer mais sobre o público com o qual você estará se comunicando.

A pesquisa de referências definirá sugestões, ideias e objetivos a serem planejados. Definindo as metas, analisamos os erros e acertos, para o período de incubação das ideias. Com um painel semântico, as imagens, fontes e paletas de cores poderão ser estudadas em conjunto para criar harmonia entre os projetos. Fazendo testes, poderemos sintetizar a ideia para criar a arte final dos nossos planejamentos. A ideia inicial poderá surgir do papel para a tela ou diretamente em programas de edição gráfica, fica a critério do resultado esperado. Pode-se criar usando vários métodos em conjunto, para um trabalho mais elaborado ou simplificado, dependendo do processo. Cada resultado de criatividade e arte tem a sua complexidade e pode evoluir, até chegar a novos métodos e processos em cada criação.

Artigo para o “Seminários em Inovação”, da Pós Graduação em Ilustração, lecionada pelo professor Luiz Salomão Ribas Gomez.

Referências

DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho. São Paulo: Scipione, 2003.

FRANCASTEL, Pierre. A realidade figurativa. São Paulo: perspectiva /USP 1975.

GAIMAN, Neil. O discurso “Faça boa arte”. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014.

HALLAWELL, Philip. À mão livre: a linguagem do desenho. São Paulo: Melhoramentos, 1994.

KLEON, Austin. Roube como um artista. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

MONTENEGRO, Gildo. A perspectiva dos profissionais. São Paulo: Blucher, 2010.

SANTAELLA, Lucia. Semiótica Aplicada. São Paulo: Thomson Pioneira, 2002.

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