Mulheres que li: Resenha

Significado de i-ne-fá-vel (adjetivo)
1. Que não pode ser nomeado, designado ou descrito, por ser naturalmente complexo, intenso ou belo; indescritível.
2. Que provoca grande prazer ou contentamento; inebriante.
3. Que não se pode descrever por palavras; inenarrável.
4. Etimologia (origem da palavra inefável) do latim ineffabilis.

Eu tenho um magnetismo “clariciano” com o significado das palavras. Inefável é uma dessas que desde que encontrei com sua etimologia no dicionário, consigo entender o que é esse sentimento à flor da pele. Para descrever nosso universo e nos colocarmos no mundo, nós mulheres (principalmente mulheres negras), ainda precisamos correr e nos afirmar três vezes mais, se quisermos crescer em nossas áreas de atuação, ocuparmos mais espaços, termos condições salariais justas, afirmar nossas convicções e conhecimentos sem sermos tachadas como reativas, e que seja considerado todo o nosso trajeto e nossas habilidades quando estamos sendo nós mesmas.

Inspirada pelo Instagram “Mulheres que li” e o ensaio “Um teto todo seu”, da escritora Virgínia Woolf, decidi transcrever aqui as resenhas dos livros que li, depois de ter passado por esse período de turbulento de quarentena, considerando estar em uma pandemia, trabalhando com muita pressão por desempenho e ter começado a duvidar das minhas próprias capacidades enquanto trabalho como criativa e em áreas de inovação.

Significado de su-bes-ti-mar (verbo transitivo direto)
1. Não dar a devida estima, valor ou apreço a; não ter em grande consideração; desdenhar. “s. a inteligência de alguém”
2. Calcular mal, para menos. “s. a demanda de determinado prazo”
3. Etimologia (origem da palavra subestimar): Sub + estima.

Em 2004, quando fui voluntária na organização e cuidado da Biblioteca, Sala de Leitura e de Informática (onde aprendi muitas coisas sozinha) na Escola de Educação Básica São Tarcísio, em Ponte Alta/SC.

Desde que comecei a me aventurar na literatura e leitura, influenciada principalmente pela minha mãe-artista Marcia e minha fada-madrinha Geane, que me deram meus primeiros livros, comecei a escrever para não esquecer do que sentia quando lia. Nem que fosse uma nota sobre a leitura, uma percepção, um detalhe ou um trecho que me marcou.

Também tenho uma admiração enorme por projetos gráficos, editoriais, tipografias, tipos de papel e a forma do livro mesmo. Então comecei a perceber esses pequenos detalhes desde que eu passava mais tempo na biblioteca da escola que nos grupinhos e festas (muito adepta do clube antissocial). Tive o mesmo comportamento durante a faculdade, sabendo que ali teria milhares de opções e universos diante dos meus olhos no meio da biblioteca. Devo muito aos livros que me ensinaram.

Nas aulas teóricas da graduação: Uma estudante tímida que vivia na biblioteca e uma universitária tímida. A biblioteca sempre foi minha zona de conforto preferida.

Já tinha passado várias anotações dos meus cadernos para o Skoob e como recebo feedbacks positivos por lá, acho super válido compartilhar por aqui também as minhas experiências e leituras, para facilitar um resumo sobre as escritoras mulheres que fizeram parte da minha formação e percurso (cheio estigmas, medos, perfeccionismo e auto-crítica) enquanto mulher, enquanto leitora.

Índice: “Mulheres que li e seus livros”

1. Um Teto Todo Seu — Virgínia Woolf
2. Aprendendo a Viver — Clarice Lispector
3. As meninas — Lygia Fagundes Telles
4. A disciplina do amor — Lygia Fagundes Telles
5. O Morro dos Ventos Uivantes — Emily Brontë
6. As Palavras Voam — Cecília Meirelles
7. Noite em Claro — Martha Medeiros
8. Cartas Extraviadas e Outros Poemas — Martha Medeiros
9. Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento — Adriana Falcão
10. Queria ver você feliz — Adriana Falcão
11. Poemas — Florbela Espanca
12. Meu coração de pedra-pomes — Juliana Frank
13. O Perigo do Dragão — Bruna Lombardi
Resenhas em andamento
14. O Efeito Urano — Fernanda Young
15. Pequeno Manual Antirracista — Djamila Ribeiro
16. O feminismo é para todo mundo— bell hooks
17. Tem um coração que faz barulho de água — Cris Lisbôa
18. Manual Prático de Bons Modos em Livrarias — Lilian Dorea
19. Mulheres que Correm com os Lobos — Clarissa Pinkola Estés
20. Poética — Ana Cristina Cesar
21. Rita Lee: Uma autobiografia — Rita Lee
22. Outros jeitos de usar a boca — Rupi Kaur
23. Viagem & Vaga Música — Cecília Meireles
24. Orgulho e Preconceito — Jane Austen
25. No Ritmo Dessa Festa — Bruna Lombardi
26. Contos de Amor Rasgados — Marina Colasanti

Virgínia Woolf

1. Um Teto Todo Seu — Virgínia Woolf
Gênero: Ensaio, Ficção, Não-ficção
Editora: Tordesilhas

Ano de publicação: 1929. Edição: 2014

“Anônimo frequentemente era uma mulher”

Essa foi uma leitura transformadora, daquelas que você finaliza o livro querendo abraçar quem escreveu. Não tenho palavras para descrever o impacto que a Virginia Woolf tem na minha formação como leitora e mulher. Ela conseguia visualizar a evolução e perspectivas sociais e antropológicas décadas a frente do seu tempo. Os questionamentos que ela propõe nesses ensaios são muito pertinentes e questionadores pois são acontecimentos do começo do século e que ainda hoje existem na nossa sociedade.

Em “Um teto todo seu”, Virgínia imagina como seria a vida de uma possível irmã de Shakespeare. Como mulher, quais seriam os empecilhos durante sua jornada, quais responsabilidades seriam atribuídas em tarefas domésticas, o casamento e os filhos considerados como um destino já definido. Enquanto seu irmão jamais ouviria que essas atribuições são mais dignas que se dedicar a literatura. Dedicar-se à arte e ser reconhecida pela sociedade não é apenas questão de mérito. Há privilégios educacionais, econômicos e de gênero envolvidos no processo. Pense nesses motivos e possivelmente você vai encontrar os motivos pelos quais não há tantos romances, poemas, obras de arte, peças ou estudos escritos por mulheres no decorrer dos últimos séculos.

“A vida para ambos os sexos (…) é árdua, difícil, uma luta perpétua. Requer coragem e forças gigantescas. Mais que qualquer coisa, talvez, criaturas da ilusão como somos, ela requer confiança em si mesmo. Sem autoconfiança, somos como bebês no berço. E de que modo podemos adquirir essa qualidade imponderável, que também é tão inestimável, o mais rápido possível? Pensando que as ouras pessoas são inferiores. Sentindo que temos uma superioridade inata. (…) As mulheres tem servido há séculos como espelhos, com poderes mágicos e deliciosos de refletir a imagem do homem com o dobro do tamanho natural”.

Consegui ler esse livro no ônibus durante o trajeto para o trabalho, refletindo sobre toda a carga que carregamos diariamente. Nas nossas tarefas domésticas e em nossos trabalhos, a dificuldade que temos em ouvirem nossa voz, em respeitarem nossas opiniões e principalmente nos deixarem falar. Sei o quanto isso prejudica nosso crescimento e como algumas pequenas faíscas tem acontecido nos últimos anos. A mudança de atitude durante esse século são visíveis, mas muitos padrões ainda estão arraigados no comportamento individual. Acredito muito que um dia teremos ambientes igualitários e de respeito, mas a nossa geração ainda tem muito para aprender e muitos pensamentos para desconstruir. É uma mudança de pensamento e cultura, que ainda encontra bases sólidas de indisposição para a mudança. O processo é mais lento do que sonhamos.

“Tudo que eu poderia fazer seria dar-lhes a minha opinião sob um ponto de vista mais singelo: uma mulher precisa ter dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio, se quiser escrever ficção.”

Ainda tenho vários livros dela na minha fila, mas é sempre uma experiência imersiva e sensorial ler Virgínia. Eu sinto muito do que ela sente na pele. Recomendo muito a leitura.
(Data da resenha: 10/2020)

Clarice Lispector

2. Aprendendo a Viver — Clarice Lispector
Gênero: Biografia
Editora: Rocco
Ano de publicação: 2004

“Vi a esfinge. Não a decifrei. Mas ela também não me decifrou. Encaramo-nos de igual para igual. Ela me aceitou e eu a aceitei. Cada uma com o seu mistério.”

Assim descreveria meu contato inicial com o livro. Decifrar-se. Cada qual com seu mistério. O contexto: uma seleção de crônicas escritas por Clarice, para o Jornal do Brasil, na década de 70. Ela se justifica “nunca toquei, realmente, em meus assuntos pessoais, sou até uma pessoa muito secreta. E mesmo com amigos só vou até certo ponto”. Este livro é como mergulhar no seu universo confessional. Clarice cronista, não escritora (pois não gostava da denominação), relembra passagens da infância, fala sobre a natureza e fatos cotidianos, descrevia suas muitas viagens, pois era casada com um diplomata, mencionava episódios que viu ou citava coisas que leu. Sempre com um tom sutil e leve, como determina um jornal. Destaquei muitos trechos ou mesmo textos inteiros, nas minhas anotações. Ela sempre nos define em seus próprios pensamentos e indagações existencialistas. Reescrevo aqui alguns dos preferidos:

Saudade

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.”

O meu próprio mistério

Sou tão misteriosa que não me entendo.

Trechos

O mais difícil é não fazer nada: ficar só diante do cosmos. (…) Um domingo de tarde sozinha em casa, dobrei-me em dois para a frente — como em dores de parto — e vi que a menina em mim estava morrendo. Nunca esquecerei esse domingo. Para cicatrizar levou dias. E eis-me aqui. Dura, silenciosa, heroica. Sem menina dentro de mim.

Vida Natural

A outra mão dele, a livre, está ao alcance dela. Ela sabe, e não a toma. Quer a mão dele, sabe que quer, e não a toma. Tem exatamente o que precisa: pode ter.

Mistério: Céu

E uma noite, com uma amiga, mas dessas que não enchem o ar com palavras, fomos para um descampado. E lá, meio inclinada para trás, olhei para o céu. O céu no campo é de um azul marinho profundo e vêem-se como cristais milhares de estrelas. Olhando para o céu fiquei tonta de mim mesma.

Preguiça

“Um largo feixe de luz atravessa o quarto, iluminando uma fina poeira, como se de repente se descobrisse a vida íntima do ar”.

Para conhecer um pouco mais da sua história maravilhosa, recomendo um passeio pelo site do Instituto Moreira Salles criou para o seu Centenário: https://claricelispector.ims.com.br/

(Data da resenha: 04/2012)

Lygia Fagundes Telles

3. As meninas — Lygia Fagundes Telles
Gênero: Literatura Brasileira, Romance
Editora: Companhia das Letras
Projeto Gráfico: Cláudia Warrak e Raul Loureiro
Detalhes da capa: Colagem de Beatriz Milhazes
Ano de publicação: 1973. Edição: 2009

Lygia me conquistou para sempre com ‘As meninas’. As histórias cruzadas de três jovens, os conflitos dessa fase de adolescência x fase adulta, os amores e a vida de cada uma, nos mostram como pano de fundo a solidão e a época da ditadura militar e ao mesmo tempo se mostra muito atual. Ana Clara, Lia e Lorena, três personalidades diferentes, cada uma com sua delicadeza e encantamento, sonham, idealizam, personificam a juventude. Estes conflitos filosofam com a linguagem particular de Lygia, que consegue de maneira genial criar vários mundos totalmente diferentes e detalhados.

“O espírito daquela época conturbada e de vertiginosas transformações, sobretudo comportamentais.”

(Data da resenha: 04/2010)

4. A disciplina do amor — Lygia Fagundes Telles

Gênero: Contos, Crônicas, Ficção, Literatura Brasileira
Editora: Companhia das letras
Projeto Gráfico: Cláudia Warrak e Raul Loureiro
Detalhes da capa: Colagem de Beatriz Milhazes
Ano de publicação: 1980. Edição: 2009

“E minha mesa está uma desordem e também aqui dentro. Dialogar comigo mesma, pensei depois que li no pórtico do livro: ‘Criastes-nos para Vós e o nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós.’ O diálogo, senão com Deus, ao menos comigo, mas me dizer o quê? Comecei a escrever estes fragmentos: fiquei sendo a narradora que me focaliza e me analisa mas sempre através de uma intermediária que seria o terceiro lado deste triângulo. Fica simples, somos três. Perfeito o convívio entre nós porque a intermediária é discreta, tipo leva-e-traz mas sem interpretações.”

Assim tomei nota de que sou o outro lado deste triângulo. Ela, que deixa solta as palavras e a intermediária discreta, me apresenta seus passarinhos engaiolados nos papéis. A minha edição lida é de um “livro livre”, que encontrei em meu passeio de fim de ano. Fiquei surpresa ao encontrar essa coletânea de fragmentos da maravilhosa Lygia. Uma espécie de diário recortado, com delírios e realidades, datados aleatoriamente, como ela mesma descreve:

“Inventei datas que fui deixando cair por estas páginas assim ao acaso e agora não sei quais são as inventadas e quais são as reais. Debruço-me sobre algumas para examiná-las de perto e a proximidade as torna singularmente mais distantes”.

Os ‘personagens’, que tem seus nomes abreviados, reais ou não-reais, mostram suas facetas e se escondem, deixam as histórias mais pensativa e imaginativa. É um livro curto mas seu conteúdo é de um brilho sem igual, e eu gostava de apreciar cada conto em sua singularidade. A inquietação íntima e sua observação apurada sobre o mundo, (típicas de uma ariana impetuosa) sempre me surpreendem.

Aqui um conto curto, mas super singelo:

“Só colhia as rosas ao anoitecer porque durante o sono elas sentiam o aço frio da tesoura. Uma noite ele sonhou que cortava as hastes de manhã, em pleno sol, as rosas despertas e gritando e sangrando na altura do corte das cabeças decepadas. Quando ele acordou, viu que estava com as mãos sujas de sangue.”

(Data da resenha: 03/2011)

Emily Brontë

5. O Morro dos Ventos Uivantes — Emily Brontë
Gênero: Drama, Literatura Estrangeira, Romance, Ficção gótica, Tragédia
Editora: Abril — Coleção Imortais da Literatura Universal
Ano de publicação: 1847. Edição: 1971.

Esse tipo de romance me encanta. Não sou muito adepta dos best-sellers por saber a riqueza de uma verdadeira história bem contada, que faz nos sentir dentro da própria história. O único livro, e obra prima de Emily Brontë, me despertou vários sentimentos. Li quando tinha 14 anos, e me sentia realmente vivendo naquela época, vivendo um amor profundo, uma história forte e delicada ao mesmo tempo. É uma história de amor e vingança, que prende o leitor. Eu criei na minha cabeça, os personagens, a trilha sonora, o ambiente, tudo imaginando através narrativa da autora. Ainda não tive a oportunidade de ver o filme, mas espero que seja tão bom quanto o livro.

(Data da resenha: 04/2006)

Cecília Meirelles

6. As Palavras Voam — Cecília Meirelles
Gênero: Poema, Poesia
Editora: Moderna
Ano de publicação: 2005

Essa antologia reúne poesias retiradas de vários livros de Cecília.
A delicadeza do título, revela o que de melhor a poeta sabia fazer: escrever com mãos de pena: sutil e delicada. O título foi extraído do seguinte poema:

“ Voo

Alheias e nossas
as palavras voam.
Bando de borboletas multicores,
as palavras voam.
Bando de azul andorinhas,
bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.
Voam as palavras
como águias imensas.
Como escuros morcegos
como negros abutres,
as palavras voam.

Oh! alto e baixo
em círculos e retas
acima de nós, em redor de nós
as palavras voam.

E às vezes pousam.”

O caminho que ela busca, entre o eterno e o efêmero, a vida e a morte, as epifanias, o onírico, a beleza, a sutileza, os opostos, enfim, todas as suas peculiaridades foram reunidas de forma a oferecer ao leitor, a melhor experiência ao se extrair o máximo do mínimo. Sua obra é toda feita de palavras ao vento, ela não é a poeta das multidões, ela é feita de recônditos e recantos, escreve como se fosse um sussurro ao pé do ouvido. Desde pequena marcada pelo signo da morte, na infância se encontrou nas delicadezas. Ela se tornou uma das maiores vozes líricas do nosso país. Recomendo como um livro para se conhecer e ir mais a fundo em sua obra.

(Data da resenha: 06/2012)

Martha Medeiros

7. Noite em Claro — Martha Medeiros
Gênero: Literatura erótica
Editora: L&PM Pocket
Ano de lançamento: 2012

Li ele todo em uma “Noite em Claro”. Mas a minha noite não se parecia nem um pouco com a que se passa com a personagem. São 64 páginas de uma leitura envolvente. Escrita em primeira pessoa, na situação de uma noite de tempestade onde o ponto final será apenas quando a chuva cessar. Uma mulher, seus pensamentos, desamores e ânsia por viver (mesmo que seja das lembranças antigas). Martha Medeiros é ótima neste livro de duração curta de leitura, porém impactante.

(Data da resenha: 03/2014)

8. Cartas Extraviadas e Outros Poemas — Martha Medeiros

Gênero: Literatura Brasileira, Poesia, Poemas
Editora: L&PM Pocket
Ano de lançamento: 2013

Esse livro tem o que eu chamo de linearidade e é tão forte que me vi em várias poesias. Três cartas me marcaram mais: a primeira, fala sobre o peso que se carrega ao término de um relacionamento, a segunda sobre o amor sentido — mas que não foi dito — e a terceira, que é a percepção do ponto de vista masculino, onde o interlocutor diz perder-se, que a pessoa amada sempre foge, está sempre a frente, nunca para. A maior parte do livro é composta por essas pequenas poesias que falam sobre o amor, o desamor, o afeto, a saudade, a distância, o passado, o corpo, o sexo, o rompimento, a amizade e todos os eus que compõem uma mulher. Leitura deliciosa.

(Data da resenha: 06/2017)

Adriana Falcão

9. Pequeno Dicionário de Palavras ao Vento — Adriana Falcão
Gênero: Ficção, Infantojuvenil
Editora: Salamandra
Ano de publicação: 2005. Edição: 2013

Primeiro: sou apaixonada pelos significados contrários das palavras.
Segundo: fiquei encantada com a forma sutil que Adriana Falcão formata as palavras.
Terceiro: minha surpresa ao pesquisar sobre o livro e descobrir ela ser a mãe da Clarice Falcão!

Um dicionário que devia estar pregado em nossos olhos ao definir as coisas, assim como a definição infantil dos objetos, coisas, animais, situações, sentimentos. Recomendo para as pessoas com a cabeça nas nuvens e o coração leve de pluma caindo.

(Data da resenha: 01/2014)

10. Queria ver você feliz — Adriana Falcão

Gênero: Literatura Brasileira, Romance
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2014

Esse livro me fez refletir muito. E admirar a forma como os dois se comunicavam e entendiam, como eram sinceros e se amavam. O modo como ela escreveu sobre os avós, sobre o amor e seus delírios. Fico encantada com a simplicidade da Adriana Falcão, ela orquestra as palavras com leveza e maestria.

(Data da resenha: 01/2015)

Florbela Espanca

11. Poemas — Florbela Espanca
Gênero: Poema, Poesia
Editora: Martins Fontes
Estudo introdutório, organização e notas de Maria Lúcia Dal Farra
Ano de publicação: 1930. Edição: 1996

O sentido do amor, o sofrimento, a saudade, sentimentos profundos retratados tão bem pelas palavras cortantes de Florbela. É um livro para ler tanto quando se está apaixonada, quando se está pra baixo. Decifra nossos pensamentos em palavras, as desilusões que hoje são tão superficiais, são sentidas de uma forma aguda e singela. Uma mulher a frente do seu tempo, defendia pautas feministas em Portugal do início do século, teve uma vida tumultuada, inquieta, transformando seus sofrimentos íntimos em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização e feminilidade.

“Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só…”
Florbela Espanca

(Data da resenha: 10/2005)

Juliana Frank

12. Meu coração de pedra-pomes — Juliana Frank
Gênero: Ficção, Literatura Brasileira, Romance
Editora: Companhia das Letras
Ano de publicação: 2013

Lawanda é uma garota excêntrica. Tem suas peculiaridades: faz “macumbinhas”, costurando borboletas nas suas calcinhas, oferece serviços extras nos hospital onde trabalha, tem como principal objetivo comprar um frigobar, entre outras loucuras. O texto de Juliana Frank tem uma certa acidez desconcertante, que ao mesmo tempo nos prende, curiosos por saber o desfecho da história. Considerei algumas passagens um pouco autobiográficas — pois a autora, em entrevista, diz ter se inspirado no tempo em que morou em um quarto alugado. É uma leitura despretensiosa e deliciosa. É interessante saber os delitos e delírios da protagonista ousada, que nos questiona ao pensar em nossos próprios absurdos.

“Ela é guiada pelas suas ideias. E por isso é considerada louca. Hoje em dia, é muito comum ouvir que alguém tem distúrbios mentais. Uma banalidade qualquer pode ser vista como loucura. Ela faz trabalhos escusos no hospital, inventa as macumbas, jura que seu coração é de Pedra-Pomes. Essa pedra flutua. É uma rocha vulcânica. Então, um coração leviano, eu diria.”

(Data da resenha: 02/2014)

Bruna Lombardi

13. O Perigo do Dragão — Bruna Lombardi
Gênero: Poesia, Poema
Editora: Record
Ano de lançamento: 1984

Quente. Forte. Sensual. Lasciva. Desinibida. Ela coloca tempero nas palavras. Consegue dosar na medida certa sua subjetividade. Tem delírios surreais e olhar de serpente.

“Se pudesse escolher entre amor e paixão, escolheria o segundo.”

(Data da resenha: 01/2016)

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